domingo, 11 de agosto de 2019

Transposição do Rio São Francisco entra na lista de privatização de Jair Bolsonaro

Local de bombeamento em Cabrobó-PE
O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) confirmou, na sexta-feira (9), ao Diário do Nordeste, que a operação e a manutenção do Projeto de Integração do Rio São Francisco devem ficar a cargo da iniciativa privada. De acordo com a Pasta, uma parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME) irá estruturar o leilão de geração de energia renovável, para tornar o funcionamento "sustentável".

O órgão justificou que o custo para bombear as águas para os eixos Norte e Leste da Transposição do Velho Chico", que está dentro do Projeto de Integração, é de cerca de R$ 300 milhões por ano. Além disso, o MDR destaca que o leilão irá trazer um investimento de R$ 15 bilhões para o País, e aumentar o potencial energético do empreendimento.

A possibilidade de privatização da Transposição despertou a preocupação de parlamentares cearenses na semana passada, após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinar, na última segunda (5), decreto que coloca o Projeto no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Segundo os deputados, a medida prejudica os nordestinos, sobretudo os mais pobres, que dependem da água para sobreviver.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, salienta que o objetivo do decreto assinado pelo presidente é "viabilizar um custo menor da água que chegará aos estados e à população do Nordeste". O certame do leilão será lançado no terceiro trimestre de 2020.

Enquanto o Governo Federal articula a privatização do Projeto de Integração do "Velho Chico", as obras do Eixo Norte, que beneficiam os estados do Ceará, Pernambuco e Paraíba, estão, mais uma vez, atrasadas. Atualmente, 97% do trecho está concluído.

No entanto, o ministro Gustavo Canuto afirmou, na última terça-feira (6), que o bombeamento das águas para o reservatório de Jati será iniciado no dia 30 deste mês.

Questionado, o MDR explicou que a expectativa pode sofrer alterações em decorrência de compromissos de autoridades do Governo Federal e que os recursos hídricos não devem chegar imediatamente ao Estado, já que vão percorrer 60 km de extensão.

Os recursos hídricos, no entanto, só serão distribuídos para a população cearense após a conclusão do "trecho emergencial" do Cinturão das Águas (CAC) do Ceará - que levará as águas da Transposição para açudes do interior e ao Castanhão. Com informações do Diário do Nordeste

Nenhum comentário:

Postar um comentário