terça-feira, 30 de julho de 2019

Fala do presidente Bolsonaro sobre morte na ditadura militar gera críticas

Bolsonaro foi muito criticado pelas colocações
feitas contra o pai do presidente da OAB
O presidente Jair Bolsonaro se tornou, nesta segunda-feira, alvo de críticas por atacar o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, dando uma versão sobre a morte do pai dele, que desapareceu durante o regime militar.

Bolsonaro disse que Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira foi morto pelos correligionários que combatiam a ditadura a fim de evitar o vazamento de informações confidenciais. "Eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz", afirmou Bolsonaro.

"Não foram os militares que mataram ele não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo que acontece". Mais cedo, Bolsonaro chegou a dizer apenas que "se o presidente da OAB quiser saber como o pai desapareceu no período militar, eu conto para ele".

Fernando era integrante do grupo Ação Popular (AP), organização contrária ao regime militar (1964-1985). Ele foi preso pelo Governo em 1974 e nunca mais foi visto. Em 2012, no livro "Memórias de uma guerra suja", o ex-delegado do Dops Cláudio Guerra disse que o corpo de Fernando foi incinerado no forno de uma usina de açúcar em Campos (RJ).

Reações
A Anistia Internacional repudiou a fala de Bolsonaro. "É terrível que o filho de um desaparecido pelo regime militar tenha que ouvir do presidente do Brasil, que deveria ser o defensor máximo do respeito e da Justiça no País, declarações tão duras", citou a ONG.

"Lamentavelmente, temos um presidente que trata a perda de um pai como se fosse assunto corriqueiro - e debocha do assassinato de um jovem aos 26 anos", diz nota da OAB.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também criticou. "Sou filho de um deputado cassado pela ditadura, que foi para o exílio e perdeu quase tudo durante esse período. Inaceitável. Foi uma declaração infeliz do presidente Bolsonaro", afirmou Doria.

"A consolidação da democracia brasileira requer que as autoridades públicas resgatem a memória e a verdade, bem como velem pela dignidade de todos aqueles que sofreram com o abuso do poder estatal", declarou o Colégio Nacional de Defensores Públicos Gerais (Condege). Fonte: Diário do Nordeste

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