terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

PM joga spray de pimenta e dá tiros de bala de borracha contra professores em Icó

Armas foram apontadas para o público presente
Foto: ASCOM/FETAMCE  
Clima de tensão marcou na noite desta segunda-feira, 19, a votação do decreto 02/2018 de autoria da prefeita de Icó, Laís Nunes, que propõe a redução de 40 horas semanais para 20 horas de 362 professores da rede municipal de ensino. A proposta foi aprovada em primeira votação por sete votos a cinco.

Policiais militares fizeram isolamento do prédio do Legislativo e soltaram bombas de efeito moral, spray de pimenta e deram tiros de bala de borracha contra professores e manifestantes que aguardavam a votação na Rua Grande, a Avenida Ilídio Sampaio, no Centro Histórico de Icó. 

O presidente da Câmara, Fernando Nunes, irmão do ex-prefeito, Neto Nunes, e cunhado da prefeita, solicitou a presença da Polícia Militar e determinou um controle de entrada de pessoas, limitando por senha dada aos vereadores a quantidade de manifestantes no interior da sede do Legislativo.

Do lado de fora houve tumulto e a confusão se generalizou. Os manifestantes vaiaram os vereadores que votaram a favor do projeto encaminhado pela prefeita, Laís Nunes.

De acordo com a presidente da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público no Ceará, Enedina Soares, havia um verdadeiro clima de guerra. “Ficamos sob a mira de armas e recebemos spray de pimenta na cara”, contou. “Estamos lutando por nossos direitos e é uma vergonha cortar os salários dos professores pela metade e ferir aqueles que educam as nossas crianças”.

Os professores e sindicalistas reclamaram contra o exagero e a violência dos policiais militares.

Em apenas um decreto, a prefeita Laís Nunes, que é casada com Neto Nunes (ex-prefeito e ex-deputado estadual), tornou nula todas as ampliações de carga horária concedidas aos professores em função do decreto 18/2014.
Professores em frente à Câmara esperando a votação

“O desespero dos professores é total, pois muitos fizeram empréstimos, têm prestação de casa ou de carro para pagar e outros compromissos assumidos e de uma hora para outra ficam com a metade do salário”, frisou Enedina Soares.

O vereador da oposição, Welington Chiclete não compareceu e o ex-secretário de Educação e vereador, Marconier Mota também não participou da sessão da Câmara de Icó.

Oposição 
Daniel Guimarães, vereador da oposição, fez um pronunciamento duro na tribuna do Legislativo e acusou a gestão e os vereadores da situação de ‘furtarem’ 50% dos salários dos docentes e lamentou o apoio da situação ao decreto da prefeita, além de ter demonstrado contradição. “Isso é criminoso, hipocrisia, falta de respeito para com o povo, esse ato da prefeita”, frisou. “Deveriam ter fechado secretaria, cortado salários de cargo de confiança e até reduzir salários dos vereadores”.

O vereador Daniel Guimarães disse também que os vereadores da situação estavam votando sob ‘ameaças e constrangimento’. Ele também fez acusações de perseguição e transferência de docentes para lugares distantes.

Justificativa 
O vereador Eliseu Amâncio, líder da prefeita na Câmara, disse que o município está com uma folha de pagamento elevado em torno de 61% e que é preciso reduzir para 54%, em respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “Com a redução de carga horária e do salário, o município vai poder receber recursos de emendas parlamentares e ter condições de contra-partida para obras e programas”. Segundo a situação, o município na situação atual está impedido de receber cerca de R$ 30 milhões de emendas parlamentares e de verbas do Orçamento da União.

A prefeita Laís Nunes por meio de justificativa apresentada à Câmara informou que o decreto foi necessário para corrigir um erro do passado, cometido pela ex-prefeito, Jaime Júnior, e por ela própria, quando ambos ampliaram carga horária de professores.

O ex-gestor nomeou cerca de 200 docentes por meio de seleção em 2014, e no ano passado, ela nomeou mais de cem professores. “A administração pode rever seus próprios atos e precisamos nos enquadrar segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal”. Com informações Diário Centro Sul

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